Google Pixel 11 traduz linguagem de sinais

No Made by Google 2026, a empresa apresentou o SL2T, modelo de IA que transforma sinais em texto direto no teclado do Pixel 11. O recurso já funciona para a língua de sinais americana, mas a Libras ainda não está confirmada.

O evento Made by Google 2026 aconteceu em Nova York na quarta-feira, 12 de agosto, com apresentação do comediante Trevor Noah. Além da linha Pixel 11, do Pixel Watch 5 e do rastreador Pixel Tag, a Google usou o palco para mostrar uma novidade de acessibilidade que passou quase despercebida em meio aos lançamentos de hardware: um sistema capaz de ler sinais feitos com as mãos, o rosto e o corpo, e converter isso em texto em tempo real.

O que é o SL2T, novo modelo da Google DeepMind

O recurso se chama SL2T, sigla para sign language to text (língua de sinais para texto, em tradução livre). Foi desenvolvido pela Google DeepMind e anunciado oficialmente no dia do evento. Ele já está embutido em duas ferramentas do sistema: o teclado Gboard e o aplicativo Live Transcribe, usado para legendar conversas em tempo real para pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

Na prática, a pessoa aponta a câmera do Pixel 11 para si mesma, faz os sinais normalmente e o texto aparece na tela. Como está integrado ao teclado, o recurso funciona em qualquer lugar onde normalmente se digitaria, como buscas no Google, mensagens, documentos e comandos para o assistente Gemini.

Como funciona a tradução de sinais no Pixel 11

O modelo não analisa apenas as mãos. Segundo a Google, o SL2T também interpreta expressões faciais e posição do corpo, elementos que fazem parte da gramática das línguas de sinais e mudam o sentido de uma frase. A empresa afirma ainda ter trabalhado para reconhecer sinais feitos com uma mão só, situação comum quando a pessoa está segurando o celular com a outra.

Um ponto que chama atenção é a privacidade: o vídeo captado pela câmera não sai do aparelho. Apenas coordenadas de pontos do corpo, chamadas de landmarks, são enviadas para processamento, sem que a imagem original seja compartilhada.

O treinamento do modelo usou mais de 100 mil horas de dados cobrindo mais de 50 línguas de sinais diferentes, sendo cerca de um quarto desse volume em língua americana de sinais. A Google diz ter desenvolvido o projeto com participação da comunidade surda em todas as etapas, incluindo funcionários surdos, intérpretes profissionais e organizações de defesa de direitos das pessoas surdas.

Por que ainda não é Libras

Aqui está o ponto que mais interessa a quem já esperava ver a Libras representada: no lançamento, o SL2T funciona exclusivamente com a língua americana de sinais, traduzida para o inglês. Para usar o recurso, o Gboard precisa estar configurado com o idioma em inglês dos Estados Unidos ou do Canadá, o que já indica o recorte inicial da tecnologia.

A Google confirmou que pretende expandir o suporte para outras línguas de sinais e outros aparelhos ao longo do tempo, mas não deu prazo nem citou a Libras especificamente. Como o modelo foi treinado com dados de mais de 50 línguas de sinais ao redor do mundo, existe uma base técnica para expansão, mas isso não significa que a Libras seja a próxima da fila.

Outras novidades do Made by Google 2026

A tradução de sinais dividiu espaço com outros lançamentos do evento. A linha Pixel 11 chegou com quatro modelos, o Pixel 11, o Pixel 11 Pro, o Pixel 11 Pro XL e o Pixel 11 Pro Fold, todos equipados com o novo chip Tensor G6. A Google também apresentou o Pixel Watch 5, uma nova cor para o Pixel Buds Pro 2 e o Pixel Tag, primeiro rastreador de itens da marca, no estilo dos AirTags da Apple.

No campo da inteligência artificial, a empresa ainda mostrou o Rambler, recurso de digitação por voz feito para entender frases desorganizadas, com hesitações e vícios de linguagem, sem exigir que o usuário fale de forma “arrumada” para ser compreendido.

O que esperar daqui para frente

O SL2T mostra que a Google está tratando língua de sinais como um método de entrada tão válido quanto voz ou digitação, e não como um recurso à parte. Isso é um avanço real para quem usa ASL no dia a dia. Para o público brasileiro, porém, a expansão para outras línguas de sinais, incluindo a Libras, ainda é uma promessa sem data. Vale acompanhar os próximos anúncios da Google DeepMind para ver se e quando a Libras entra nesse mapa.

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